sábado, 13 de dezembro de 2008

Nunca Mais

Não faço nem idéia se já postei sobre isto aqui. Andei fazendo umas pesquisas "pós ou pré-acadêmicas" sobre os direitos humanos, me enveredei pelo caminho da Anistia Internacional, pelo movimento Tortura Nunca Mais e claro, pelo regime militar.
Não sei se alguém tem acompanhado, mas vários países da América do Sul têm discutido a questão da tortura em suas ditaduras. Ou melhor, a questão de punir ou não os torturadores.
Na minha querida Argentina e no Chile pessoas já foram presas.

Eu digo sim. Sim ao julgamento. Sim à abertura de documentos, revelação de nomes, escândalos, tumulto. Não quero nem saber se esses torturadores fizeram porque tinham que fazer, ou se têm filhos e netos. E quanto aos torturados? E às famílias deles?

Certa vez li sobre o assunto e o autor do texto (memória falha, mas acho que foi na veja) disse que "trazer essas questões à tona é abrir uma ferida que o Brasil não tem condições de cuidar". Como se o Brasil não possuísse ferida alguma. E claro, esse autor não deve ter se machucado nenhuma vez quando criança porque se tivesse, saberia que para a ferida se curar, deve-se lavar, limpar e fazer curativos, o que dói pra caralho.

O que dizer às mães da Plaza de Mayo, que ainda se reunem todas as quintas para chorar a morte e/ou desaparecimento de seus filhos? E às pessoas que tem seus dedos tortos, problemas de coordenação motora, invalidez ou qualquer outro tipo de restrição por conta de torturas sofridas por robôs sem coração? Devemos lembrar que eles, ao contrário do que eram chamados - terroristas - lutaram pelo nosso país porque queriam e acreditavam em um futuro melhor e mais justo. Quem tem a coragem de sair às ruas hoje? As pessoas mal votam...

A intenção de rever esses casos não é de prender nem matar ninguém (obviamente...). O objetivo é abrir a cabeça das pessoas, mostrar que tem muita coisa do passado que continua influenciando o presente e conseqüentemente, o futuro. Que o Brasil precisa, URGENTE E DEFINITIVAMENTE de uma boa memória para não esquecer sua história e assim poder construir a futura história com consciência e sabedoria.

Por mais que tudo isso pareça utópico, o mais importante é lembrar que a tortura é a maior violação de qualquer direito de qualquer declaração. É o roubo da faculdade natural que toda pessoa tem de morrer em paz.

2 comentários:

Carlos L. R. disse...

Certo dia liguei a tv na Tv Cultura.. Assim, cpmo quem não quer nada.. E vi alguns depoimentos de mulheres que foram torturadas, molestadas e etc na prisão na época do regime.

Me rendeu uma reflexão momentânea.. Fiquei meio mal com a histórias... e pensando bem.. De fato acho que deveriam sim serem julgadas, as criaturas que executaram essas crueldades.

Ficou legal o texto. ;|

Lôra disse...

Um livro que eu li há um tempo (1968 - o ano que não terminou), ao falar sobre o período da ditadura, fez um comentário sobre a memória do brasileiro. Dizia que o povo daqui tem sua memória apagada de 15 em 15 anos. Eu ainda acho que é em período menor, pois toda semana é um escândalo, uma guerra, um crime novo que é trazido à tona de maneira cada vez mais efusiva. Nunca há espaço e tempo para analisar as coisas em sua essência, com uma visão mais profunda e crítica. Assim, a polêmica da semana anterior é esquecida totalmente, e na maioria das vezes sem se quer ser apurada.
A verdade é que o povo brasileiro não gosta de se lembrar, de analisar. É como se pensar doesse.
Sendo assim, grande parte da população do Brasil nunca vai entender o por quê da necessidade de se abrir e liberar a documentação do regime militar. Nunca vai entender que as famílias que foram vítimas da tortura não querem em específico uma indenização ou punição, querem sim é o reconhecimento, o estudo, a lembrança!
É um absurdo saber que as pessoas que tiveram a coragem e consciência para lutar por um país e vida melhor receberam em troca tortura, dor e esquecimento, ficando com seqüelas físicas e psíquicas pelo resto de suas vidas.